Como é e como funciona o sistema de saúde nos EUA, afinal?

Como é e como funciona o sistema de saúde nos EUA, afinal?

Como é e como funciona o sistema de saúde nos EUA, afinal?

Ao decidir mudar para os Estados Unidos, é preciso pensar em diversos detalhes fundamentais. Um deles é entender como é o sistema de saúde nos EUA. Em resumo, o acesso é menor que no Brasil, onde temos o Sistema Único de Saúde (SUS), mas há sim um serviço público, outro que podemos chamar de semi-público e o privado.

Ir ao médico e fazer qualquer exame ou procedimento é bastante caro no país, por isso, o plano de saúde é uma necessidade para a maioria das famílias. Então, existem programas do governo, como o Obamacare, que facilitaram o acesso ao sistema privado, dando a oportunidade de mais pessoas terem atendimento sempre que precisarem.

Conheça mais detalhes sobre como é o sistema de saúde nos EUA e entenda o assunto de uma vez por todas.

Como funciona o sistema público de saúde nos EUA?

O sistema de saúde nos EUA se divide nos programas públicos, que são o Medicare e o Medicaid, e os seguros saúde (também conhecidos como planos de saúde). O primeiro atende idosos (+65 anos), o segundo é limitado as famílias de baixa renda, e o terceiro, particular, atende a quem possa custear. 

Os principais programas médicos totalmente públicos dos EUA são o Medicare e o Medicaid: o primeiro destinado às pessoas com 65 anos ou mais e, também, àquelas com doenças e deficiências incapacitantes. O segundo é para populações de baixa renda, com algumas variações entre os estados.

Para fazer parte do Medicare, que é pago pela Previdência dos EUA, é preciso que o cidadão americano ou imigrante tenha contribuído durante seus anos de trabalho. O programa é dividido em quatro partes. Todos os beneficiados estão na parte A que garante atendimento hospitalar e alguns cuidados médicos em casa.

É possível ampliar seus benefícios mediante o pagamento de uma taxa que o colocará na parte B, o seguro com outros serviços. Existe ainda a parte C e D que são um seguro avançado, com cobertura de diversos tipos e medicamentos.

Mas os idosos têm algum direito especial à saúde de graça?

O benefício dado aos idosos, como já informado no início do artigo, é o Medicare, voltado especificamente para esse público, isto é, pessoas com idade superior a 65 anos e que tenham pago impostos para a saúde em seus anos de trabalho. E mesmo tendo o apoio público (já que o programa é suportado pelo Governo), medicamentos, tratamentos especiais e o atendimento em alguns hospitais exige um complemento financeiro do paciente (às vezes, centenas ou milhares de dólares).

Já o Medicaid é um programa conjunto entre o governo federal e o estado, sendo que ambos arcam com os custos dos hospitais que atendem os beneficiados. O governo federal estipula quais atendimentos devem ser oferecidos e os estados podem cobrar taxas adicionais, exceto grávidas, grupos vulneráveis e crianças.

Resumidamente, é como um SUS limitado a uma parcela da população e, ao invés do governo federal manter e gerir tudo, os estados estabelecem algumas regras que aumentam ou diminuem os benefícios e o acesso a esse programa.

O que é o Obamacare?

Obamacare é o que podemos chamar de um sistema de saúde semi-público. Criado pelo ex-presidente Barack Obama tem o objetivo de aumentar o acesso das pessoas aos planos e, consequentemente, o atendimento médico.

A partir dele, o governo federal obrigou que todos tivessem um seguro e subsidiou as empresas para que elas oferecessem produtos com valores estipulados pela Casa Branca. Assim, famílias americanas ou residentes permanentes com renda até quatro vezes maior do que a linha da pobreza podem adquirir tais produtos, sendo que quem não adere ao programa seria multado no momento da declaração de imposto de renda.

No entanto, o atual presidente Donald Trump retirou a obrigatoriedade do plano médico para todos e também a multa. É o que chamam de Trumpcare, que mudou algumas outras questões. A crítica principal ao Obamacare é que apesar de ele ter facilitado o acesso ao sistema privado de saúde, acabou encarecendo os outros convênios particulares.

Então, não existe um sistema público parecido com o SUS?

Não. O programa americano de saúde que mais se aproxima do SUS é o Medicaid (já citado anteriormente), mas ele tem limitações que variam de acordo com o estado do residente. Além dele, há o Obamacare, que é uma opção intermediária e mais abrangente, favorecendo a vida das famílias que possuem renda até quaro vezes maior que a limitada pelo Medicaid.

Existe serviço móvel de urgência de graça?

No Brasil, basta que uma pessoa passe mal na rua para que uma ambulância seja acionada ao local do incidente. Nos Estados Unidos, essa prática pode custar milhares de dólares e, algumas vezes, é dispensada até pelos próprios pacientes. Infelizmente, na Terra do Tio Sam, não existe um serviço móvel gratuito.

Diante de uma necessidade, muitos americanos e/ou imigrantes (que não têm transporte próprio) optam por táxis ou motoristas de aplicativos, como Uber, para ajudar em uma situação de sufoco. Apesar de não ser o mais indicado, pelos eventuais percalços e falta de estrutura, é uma alternativa quando se não se pode contar com o serviço ideal.

Como é o sistema privado?

Essa é a parte que mais se assemelha ao Brasil. São planos de saúde oferecidos por empresa e as pessoas escolhem o que melhor lhe atendem, pagando uma mensalidade e uma porcentagem de cada atendimento, procedimento, cirurgia, etc.

As principais diferenças estão em dois termos: deductible e out of pocket maximum. O primeiro é a sua franquia, um pagamento mínimo necessário para que se você comece a usufruir dos benefícios do seu plano. É como se fosse um substituto do período de carência que temos no Brasil ao contratar um seguro.

Por exemplo: suponhamos que seu plano cobre 80% de todos os seus custos com medicina, mas com um deductible de US$ 2,000. Logo após contratar o produto, você ficou internado e teve gastos de US$ 3,000. A companhia, então, não arcará com 80% desse valor ainda, pois você precisa pagar o seu deductible. Então, você paga US$ 2,000 e, depois desse fato, começará a valer a regra dos 80% para a empresa e 20% para você.

Já o out of pocket maximum é o máximo que o segurado desembolsará em um ano. Digamos que você possua um plano com co-participação de 20%, um out of pocket maximum de US$ 4,000 e precisou de um procedimento de US$ 25,000. Ao invés de desembolsar US$ 5,000, você paga apenas o seu máximo, que nesse caso é de US$ 4,000.

O que preciso saber sobre sistema de saúde nos EUA?

Obrigatoriedade dos planos de saúde

Com a recente mudança no Obamacare feita pelo presidente Donald Trump, não é mais obrigatório ter convênio médico. Mas, é extremamente importante! É fato que nenhum hospital lhe negará atendimento, mas eles cobrarão depois. Você até pode ser perdoado ou conseguir descontos, mas não sem antes se estressar e perder várias noites de sono.

Atendimento médico

Outro detalhe importante é a forma como acontece o atendimento médico. O país tem as mais modernas tecnologias disponíveis e profissionais competentes, mas até por uma questão cultural o tratamento é diferente.

Pode-se dizer que ele é mais diretivo e assim que você for diagnosticado e não correr mais risco será mandando embora com medicação e instruções. Isso pode ser assustador, caso alguém esteja com uma pneumonia, por exemplo. Mas saiba que as chances dos médicos terem acertado no remédio e no diagnóstico são muito maiores, devido às tecnologias que dispõem.

Copay, Coinsurance e Premium

Três termos que estão presentes ao contratar um seguro de saúde nos EUA. Copay é um pagamento fixo que deve ser feito ao utilizar um serviço médico. Coinsurance é a porcentagem que você paga de todos os seus gastos medicinais (geralmente 20%). Premium é uma categoria de produto em que não é preciso pagar coinsurance e copay, em alguns casos, e tem todo tipo de atendimento. Obviamente, a mensalidade é bem mais alta.

Quem paga plano precisa pagar copay e coinsurance?

Dependendo do plano, precisa sim. A modalidade Premium é a única (e a mais cara, consequentemente) que dispensa o pagamento do copay e do coinsurance. Na hora de escolher seu seguro saúde, lembre-se de tirar todas as suas dúvidas, principalmente, os que envolvem gastos extras, como consultas, exames, cirurgias etc. Essas informações são decisivas para realizar seu planejamento financeiro e não ter dor de cabeça mais tarde.

Planos de saúde alternativos

Existem algumas opções de convênios mais baratos nos EUA que podem interessar os recém-chegados ao país. São os planos de saúde oferecidos pelos hospitais e empresas do tipo associação. Por ter um funcionamento diferente, acabam por cobrar mensalidades menores, mas não é qualquer pessoa que pode adquirir o produto.

Em geral, obesos, pessoas com doenças graves e com trabalhos ou comportamento considerados de alto risco são desclassificadas. Um exame é feito e até mesmo hobbies, como um esporte de aventura, pode impedir que você se afilie em um seguro como esse.

Dá para ficar sem plano de saúde morando nos EUA?

É fato: ao pesquisar sobre o sistema de saúde americano – ou até mesmo conversando com amigos que já tenham vivido a experiência de morar lá, mesmo que por uma temporada – sabe: não é nada barato custear um plano de saúde, mas é ainda pior não poder contar com um.

Isso se deve a algumas particularidades, como: lá, culturalmente a medicina praticada é curativa, não preventiva, ou seja, caso você esteja doente e tenha sido diagnosticado, é possível que seu plano cubra a consulta, exame e demais necessidades. No entanto, se seu objetivo é fazer um check-up rotineiro e verificar como anda sua saúde… a conta pode ser um pouco salgada.

A resposta à pergunta depende, principalmente, de quanto tempo pretende passar no país. Se é por tempo indeterminado ou definitivo, vale a pena pesquisar e avaliar qual opção é compatível com seu custo de vida.

Com todas essas informações, ficou muito mais fácil compreender o sistema de saúde dos Estados Unidos, não é mesmo?

A nossa dica para imigrantes é fazer um seguro médico internacional para um determinado período e uma vez estabelecidos no país, procurar por um plano médico. Residentes permanentes podem usufruir dos programas governamentais se cumprirem todos os requisitos, inclusive do Obamacare e Trumpcare que barateiam significativamente a contratação do seguro.

Conseguiu compreender melhor como é o sistema de saúde nos EUA? Não? Então, basta deixar um comentário com sua dúvida que teremos prazer em esclarecê-la!